O ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, 75, compareceu a audiência judicial nesta sexta-feira (6) em processo que o julga por corrupção, mas deixou o local afirmando a uma multidão que as acusações são politicamente motivadas e que vai provar sua inocência.

Zuma enfrenta 16 acusações, incluindo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro. O depoimento de hoje teve a ver com acusação de corrupção relacionada a um acordo para venda de armas no valor de US$ 5 bilhões (R$ 16 bilhões). 

Sua aparição diante da Alta Corte de Durban durou menos de 15 minutos. Procuradores e advogados de Zuma pediram ao tribunal que adiassem o caso até 8 de junho para que ambos pudessem se preparar melhor. O juiz Themba Sishi aprovou o pedido. 

​Zuma foi forçado a renunciar à Presidência no mês passado. Ele foi substituído por seu vice, Cyril Ramaphosa, que prometeu liderar uma campanha contra a corrupção e reconstruir o CNA. 

Na saída do tribunal, o ex-presidente um discurso diante de milhares de simpatizantes em que afirmou que o Judiciário e os políticos não achavam que ele tivesse direitos. 

Zuma afirmou ainda que era odiado por defender políticas para melhorar a vida da maioria negra do país. Seus nove anos no poder foram marcados pela estagnação econômica e escândalos de corrupção.

 

“Me surpreende quando pessoas me tratam como se eu tivesse desistido. Eles querem que me tratem como um prisioneiro”, disse Zuma, em zulu. 

“Não posso acreditar em todas as mentiras que são ditas sobre mim. Sou inocente até que provem o contrário”, acrescentou. 

A Justiça suspeita de que, em 1999, Zuma —então ministro e depois vice-presidente— tenha aceitado suborno por um contrato de armamento firmado pela África do Sul com várias empresas estrangeiras em 1999. Entre elas, está a francesa Thales.

“Estas acusações foram anuladas e, agora, são relançadas. Está claro que são políticas”, declarou Zuma.

Zuma ainda mantém apoio popular, especialmente em sua base zulu. 

Ele levou a multidão a entoar “Umshini wami” (traga minha metralhadora) uma canção popularizada pela ala armada do Congresso Nacional Africano e cantada durante décadas do regime de apartheid.

Manifestantes, muitos vestidos nas cores do CNA, levavam cartazes com dizeres como “Tirem as mãos de Zuma ” e “Defensor da transformação econômica radical”. 

“Zuma abriu nossos olhos, como pessoas negras, de que o problema não é o governo do CNA mas o sistema que impede que pessoas negras se beneficiem da economia”, disse Mondli Mthembu, 32, que viajou 150 km para apoiar Zuma. 

O bispo Ndlela, da Igreja Unida Metodista, afirmou que lideranças religiosas participaram da marcha para mostrar a Zuma que não está sozinho. 



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