Tanto temos falado sobre a valorização feminina no esporte, sobre a participação de mulheres trans em equipes, debatido igualdade salarial, pedido mais oportunidades, melhor marketing esportivo. As boas notícias demoram a aparecer mas elas vêm e, agora, sopraram dos mares. Pela primeira vez na história, cada uma das equipes da Volvo Ocean Race (VOR), conhecida como a F-1 dos barcos, tem ao menos uma mulher na tripulação.

A regata que está atracada na cidade de Itajaí, em Santa Catarina, tem a próxima largada neste domingo (22), de onde partem as sete equipes em direção ao próximo destino, na cidade de Newport, nos EUA.

A presença feminina na VOR não é novidade. Desde 1973, 126 mulheres estiveram na competição. A edição de 1977-1978 teve Claire Francis, como primeira comandante de um barco. Cerca de dez anos depois, uma equipe inteiramente do sexo-nada-frágil fez sua estreia na prova que ainda se chamava Whitbread Round-the-World Race.

De lá para cá, quase todas as edições tiveram barcos com tripulações exclusivamente de mulheres, com exceção de 2008-2009 e 2011-2012, o que é importante em termos de representatividade, mas pouco eficaz ao analisar resultados.

Em geral, os barcos femininos não tinham um bom desempenho, com raríssimas exceções. Em 2014-2015, a equipe SCA, formada apenas por velejadoras, venceu uma etapa entre Portugal e França, uma das menos difíceis da competição. Portanto, apesar do esforço da organização em incluir mulheres entre seus competidores, não dá para ignorar que homens têm, na maioria das vezes, mais força física e sempre levaram vantagem.

Quem acompanha o esporte sabe que, além de tática e de experiência a bordo, é o trabalho braçal somado à agilidade que faz a diferença. A tentativa de ter mais representatividade feminina parecia ineficaz. A mudança nessa edição, de fato, coloca mulheres e homens num mar de igualdade, ao garantir a presença delas aliada à competitividade com opções diferentes de configuração para as equipes.

E a competição ganhou com isso porque atraiu algumas das melhores velejadoras do mundo com a possibilidade de competir de igual para igual.

Essa etapa tem a participação, por exemplo, da brasileira Martine Grael, campeã olímpica, e da holandesa Annamieke Bes, medalha de prata. A britânica Dee Caffari, primeira mulher a dar a volta ao mundo sozinha e sem paradas, nas duas direções, é capitã de um barco com cinco homens e cinco mulheres, o único com essa formação. Os outros, em geral, têm ao menos a presença de duas mulheres entre sete velejadores do sexo masculino.

Dentro do barco, o trabalho, o cansaço, a chuva, o frio, o pouco sono, a comida desidratada, as ondas gigantes, os ventos e a tensão são iguais para todos. Martine, por exemplo, parece fisicamente mais forte do que quando venceu a Rio-2016, provavelmente pelo esforço que tem feito desde que a regata saiu de Alicante, na Espanha, em outubro de 2017.

A etapa brasileira da Volvo Ocean Race foi sediada no Rio de Janeiro em cinco oportunidades, com um intervalo em São Sebastião, litoral de São Paulo (1997-1998).

É a terceira vez que a competição faz sua parada em Itajaí, que deve receber até este domingo cerca de 400 mil pessoas na Vila da Regata. Um evento que movimenta a cidade, o comércio, inspira novos praticantes do esporte. De maneira ainda mais motivadora, dá o exemplo de que equipes mistas podem funcionar quando são dadas condições ideais.

A Volvo ainda passa por Cardiff (País de Gales), Gotemburgo (Suécia) e termina em Hague (Holanda), no fim de junho.



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