O boxe continua sem saber ao certo como será sua participação na Olimpíada de Tóquio-2020. As relações entre a Aiba (Associação Internacional de Boxe), entidade responsável pela modalidade nos Jogos, e o COI (Comitê Olímpico Internacional) continuam abaladas.

O impasse deve se estender até meados deste ano quando será concluído o inquérito instaurado pelo comitê para apurar possíveis irregularidades na associação. O sérvio Nenad Lalovic, membro do Conselho Executivo do COI, preside o inquérito.

Enquanto isso, nada é oficializado sobre os preparativos para os torneios masculino e feminino de Tóquio. Especula-se até a possibilidade de outra organização assumir a competição. No Japão, o comitê organizador dos Jogos não perde tempo e trabalha no projeto para viabilizar as disputas.

O conflito, no entanto, dificulta as decisões. Como serão as disputas por vagas? E a venda de ingressos?

Por sua vez, a formatação do evento segue um padrão. Tem um rito. “Ninguém inventa a roda”,  diz o brasileiro Breno Pontes, 34, membro da organização do boxe na Olimpíada, tarefa que divide no comitê organizador com dois japoneses. Com passagens pela CBBoxe e pela Aiba, ele repete atividade que exerceu nos Jogos do Rio.

Para Pontes, a situação é clara. O COI é o dono e manda nos Jogos. Ele foi contratado pelos organizadores em meados do ano passado. Afirma que a Aiba também é consultada sobre detalhes. No momento, Pontes está no Brasil, em Salvador, onde acompanha a gravidez da sua mulher.

A gestão financeira, a governança e a transparência das competições continuam sendo o foco das investigações do COI. Na verdade, o impasse entre as duas entidades vinha se arrastando havia meses, principalmente pela preocupação do COI com a eleição do novo presidente da Aiba, cargo então ocupado interinamente pelo uzbeque Gafur Rakhimov.

Mesmo contra os alertas do comitê, que tinha restrições contra Rakhimov, este se candidatou e foi o escolhido pelos dirigentes no início de novembro. O uzbeque figuraria numa lista do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como envolvido em falcatruas de organização criminosa internacional. Suspeita que o cartola refuta.

O desfecho da eleição representou uma afronta ao COI, que decidiu manter a pressão contra a Aiba. Alegou preocupações com a governança, a gestão financeira, a integridade das competições e o controle antidoping.

Uma situação estranha porque a associação apresentara anteriormente, por exigência do próprio comitê, um relatório de progresso nessas mesmas áreas. Rakhimov insiste que ele e a associação estão dispostos a colaborar para superar dúvidas.

O confronto ficou mais picante recentemente quando o COI alertou os seus 206 comitês olímpicos nacionais para que não confiassem no conteúdo de uma carta enviada por Gafur Rakhimov aos membros da Aiba.

Pediu para que os comitês enviassem cópia do aviso às entidades nacionais da modalidade. O COB (Comitê Olímpico do Brasil)  e a CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe) confirmaram o recebimento do alerta do COI.

Na correspondência, o dirigente afirmava que a associação finalmente tinha deixado o “passado conturbado”, após reunião do Comitê Executivo do COI. Não era bem assim, o texto não fornecia um retrato preciso da situação.

Enquanto a cartolagem briga, os atletas do boxe continuam alheios aos problemas, golpeando exaustivamente sacos de areia e suando nas academias. Eles merecem mais respeito.



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