No final da década passada, ambos surgiram como promissoras revelações do Santos, e era difícil saber quem jogaria mais bola nos anos vindouros: o meia canhoto Paulo Henrique Lima, o Ganso (então com 19 anos), ou o atacante destro Neymar (com 17)?

Transcorridos quase dez anos, a resposta é fácil.

Em 2009, os dois estavam cotados para ir à Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, mas o técnico Dunga não os convocou.

Em 2011, gabaritaram-se profissionalmente ainda mais, com a conquista da Copa Libertadores.

A partir daí, suas carreiras tomaram rumos diferentes. Um ascendeu vertiginosamente; o outro viu seus momentos de fulgor minguarem, quase desaparecerem, e seu cartaz se arranhar constantemente.

Ganso e Neymar em partida do Santos contra o Vélez Sarsfield, da Argentina, pela Libertadores (Juan Mabromata – 17.mai.2012/AFP)

Neymar deixou o Santos para brilhar no Barcelona, a partir de 2013, e se tornar o jogador mais caro do mundo em 2017, quando o Paris Saint-Germain o comprou do time espanhol por € 222 milhões.

Tornou-se também protagonista na seleção brasileira, titular absoluto, não importando quem fosse o técnico, desde 2011.

Ganhou 13 títulos com o Barcelona – o mais importante a Liga dos Campeões da Europa, em 2015 – e, desde que chegou a Paris, somou mais quatro.

Pela seleção, além de disputar as Copas do Mundo de 2014 e 2018, Neymar ganhou a Copa das Confederações de 2013 e deu, ao converter pênalti decisivo contra a Alemanha, ao Brasil seu primeiro ouro olímpico, nos Jogos do Rio-2016.

Ganso, por seu lado, jamais conseguiu decolar.

A sonhada transferência para um clube europeu de renome nunca se concretizou, e ele só rumou para o velho continente na metade de 2016, depois de atuar no São Paulo por quatro temporadas, na condição de ídolo, mas com retorno baixíssimo. Ganhou um único título de relevo, a Copa Sul-Americana de 2012, ano em que atuou pela última vez pela seleção brasileira.

O destino foi o Sevilla, time de médio para bom, porém sem glamour.

Ganso recebe o incentivo de Jorge Sampaoli, hoje técnico do Santos, em partida do Sevilla, onde o meia não foi bem (Cristina Quicler – 21.abr.2017/AFP)

Lá, Ganso pouco fez para melhorar o status da equipe espanhola. Dono de um estilo refinado, de muita técnica e pouca raça, não agradou a nenhum treinador e pouco jogou.

Estava tão desprestigiado que, no meio do ano passado, acabou emprestado para o pequeno e desconhecido Amiens, da França. E nem nele se firmou.

Os números corroboram o fracasso do meia na Europa.

Somando Sevilla e Amiens, esteve em campo, em dois anos e meio, em apenas 45 partidas.

Dessas, começou jogando 26, sendo quase sempre substituído. Jogos completos, nesse período, somente nove. Sua média de minutos por jogo foi de 42 – menos de um tempo jogado por partida.

Como comparação, pelo São Paulo, em um único ano (2014), Ganso atuou 61 vezes. E, assim como na época de Santos, ser substituído era bem pouco frequente

Por Sevilla e Amiens, totalizou sete gols (o último no dia 6 de dezembro de 2017) e deu dez assistências – os passes para gols continuaram sendo seu ponto mais forte.

Nesta quinta (31), o Fluminense anunciou a repatriação de Ganso, em um contrato de cinco anos.

Uma aposta de altíssimo risco para o clube carioca, em um atleta desacreditado há mais de 900 dias.

E possivelmente a chance final para Ganso provar que, diferentemente do que o mundo da bola passou a acreditar, ele ainda tem a mostrar algo mais que vestígios de genialidade.





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