Com a Copa América em andamento, o diretor de seleções da AFA (Associação de Futebol Argentina), Cesar Luis Menotti, disse que um novo projeto para a equipe começaria depois do torneio continental. Parecia que ele, campeão mundial como técnico em 1978, sabia que o destino da seleção era não ganhar o título.

Poderia ser falta de fé, mas para comentaristas e ex-jogadores do país, a ausência de Menotti no Brasil, acompanhando o elenco, era mais uma mostra da desorganização e falta de planejamento de associação que não se acerta desde 2014, quando Julio Grondona, presidente desde 1979, morreu por causa de um ataque cardíaco.

A eliminação diante do Brasil na semifinal da Copa América traz uma série de pontos de interrogação para a seleção argentina. Repete a história do Mundial da Rússia, em 2018. Foram tantas dúvidas após a queda diante da França que até agora os dirigentes não encontraram todas as respostas.

O próprio Menotti está em xeque por falar em novo projeto após ter sido contratado, no ano passado, para coordenar um trabalho de longo prazo na seleção.

“Como pode podemos falar em projeto dessa forma? Menotti tem de renunciar”, defende o ex-zagueiro Oscar Ruggeri, campeão mundial em 1986, e hoje um dos comentaristas mais populares da TV argentina.

Mas não será Menotti a controlar as discussões nas próximas semanas. Como sempre acontece desde 2010, na Copa do Mundo da África do Sul, será Lionel Messi. Antes se pensava que ele tinha todo o tempo do mundo para ganhar algo pela seleção e exorcizar o fantasma de Maradona. Agora não mais. Na semana passada, o atacante completou 32 anos.

É justo imaginar que ele terá apenas mais duas oportunidades reais para levantar um troféu de expressão pelo time principal. A Copa América do ano que vem, com sedes na Colômbia e na Argentina, e o Mundial do Qatar em 2022, quando terá 35 anos. Até hoje, seu último título foi pela seleção olímpica nos Jogos de Pequim, em 2008.

O futebol mostrado pela equipe no torneio continental deste ano mostrou um Messi muito mais tático que decisivo. Uma peça apagada na engrenagem, não o craque do Barcelona, capaz de decidir o jogo por si mesmo.

“Eu não sei se alguém tem capacidade para falar algo de Leo. É o melhor jogador do mundo. O que querem que ele faça? Não podemos esperar que ele carregue o time nas costas”, defendeu o meia Rodrigo De Paul, um dos poucos que saem com crédito da eliminação diante do Brasil.

E há também a espera sobre o que Messi vai decidir a respeito do seu futuro com a camisa alviceleste. Em 2016, após a derrota na final da Copa América Centenário para o Chile, ele se aposentou da seleção, mas depois voltou atrás.

Claudio Tapia, presidente da AFA, terá nove meses para resolver o que fazer. As eliminatórias da Conmebol para a Copa do Qatar começam em março do próximo ano. Embora ele tenha chegado mudo ao Brasil com a delegação argentina e ido embora do Mineirão calado, a continuidade de Lionel Scaloni não é provável.

Seu jeito tranquilo e de não criar conflitos agradou aos jogadores. Mas não ter experiência nenhuma prévia como técnico e ter naufragado na primeira competição que disputou o atrapalham bastante.

“Eu não posso ser responsável pelo que outras pessoas pensam a respeito do meu futuro. Tenho um trabalho para fazer. Não controlo nada mais”, resumiu ele.

Não é só isso. Nos próximos anos, o treinador da seleção argentina terá decisões difíceis a tomar. Como qual o melhor jeito de fazer a transição entre uma nova geração e a que envelhece, a chamada de “histórica”, derrotada nas decisões da Copa do Mundo de 2014 e da Copa América de 2015 e 2016. Aguero não é o atacante favorito no esquema dos sonhos de Scaloni. Ele ensaiou tirá-lo da equipe durante o torneio no Brasil, mas depois voltou atrás. Como fica a situação de Di María, um meia que com a camisa argentina, nos últimos cinco anos, esquece como jogar futebol?

Jorge Sampaoli não queria levar Javier Mascherano para o Mundial da Rússia, mas o chamou. E o escalou como primeiro volante, posição em que o atleta não tinha mais condições físicas de atuar.

​O maior desafio será como lidar com a transformação de Lionel Messi, um atacante que cada vez mais será meia e menos capaz de decidir partidas de futebol com uma arrancada da defesa até o gol adversário.



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