Centenas de pessoas protestaram nesta segunda-feira (20) contra a cobrança de pedágios nas estradas de Lima construídas em concessão pelas empresas brasileiras Odebrecht e OAS, protagonistas de um mega escândalo de corrupção que atingiu quatro ex-presidentes e outras autoridades peruanas.

“Esses pedágios são frutos da corrupção, reclamamos o cancelamento da concessão” das vias, disse o prefeito de Lurín, Jorge Marticorena, enquanto liderava um protesto neste distrito rural.

Com cartazes dizendo “não para o pedágio, não para ao assalto descarado”, os manifestantes exigiram a eliminação do pedágio na estrada entre Lima e Lurin, município de 90 mil habitantes localizado a 30 km da capital.

 

 

Houve protestos semelhantes em estradas concedidas em concessão no norte de Lima, de acordo com a imprensa local, onde os veículos pagam um pedágio de mais de 5 soles (1,5 dólar). 

Em paralelo, a Prefeitura de Lima começou a debater na segunda-feira o possível cancelamento das concessões rodoviárias após revelações de que as construtoras OAS e Odebrecht distribuíram milhões de dólares para autoridades peruanas —de presidentes a prefeitos— para garantir contratos. 

São pedágios “contaminados pela corrupção”, declarou o prefeito de Lima, Jorge Muñoz, ao convocar o conselho para discutir a questão. 

Na semana passada, um tribunal mandou prender preventivamente a ex-prefeita Susana Villarán (2011-2014) por 18 meses. Durante sua gestão alguns contratos foram assinados. Ela é acusada de receber contribuições de campanha ilegais de ambas as empresas brasileiras.

Em 2009, durante a gestão do então prefeito Luis Castañeda, o município de Lima assinou o contrato com a OAS para a concessão da linha amarela por 30 anos. Mais tarde, com Villarán na Prefeitura, foi assinado um adendo que estendeu o prazo para 40 anos. 

A Odebrecht, com vários diretores que confessaram o pagamento de subornos e a entrega de aportes ilegais a campanhas, ganhou a concessão para reformar e administrar 115 km de rodovias na capital, sob o nome de Rutas de Lima. 

Em 2016, a Odebrecht vendeu o controle de 57% da exploração do trabalho para a empresa de gestão Brookfield e reteve 25%. Há 18% geridos pela Sigma.

A Odebrecht reconheceu que fez contribuições de campanha irregulares e pagou propinas no Peru para vencer licitações entre 2005 e 2014. Agora, colabora com o Ministério Público.



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here