Pelé ou Messi? Quem jogou mais? É uma ótima resenha para animar a mesa do boteco na tarde vadia. Cada um levanta a sua bola, há dribles de pensamento, entradas bruscas de opinião, conceitos que funcionam como passes na medida. No fim da brincadeira, todos têm razão e brindam com cerveja. O problema é quando a coisa começa a ser levada a sério. 

Seria normal que os argentinos, para ter o número um, dessem preferência a Messi; e os brasileiros, a Pelé. É mais ou menos assim, mas não é bem assim. Os torcedores por aqui —sobretudo os mais jovens, viciados em assistir pela televisão aos jogos dos milionários clubes da Europa— vivem mesmerizados pelo Messi. No país vizinho, no entanto, ele sofre críticas por não mostrar na seleção o mesmo desempenho do Barcelona. O passional Maradona segue como deus da bola. 

No Brasil, Pelé também enfrentou detratores no passado, apesar das três Copas. Hoje, sentado numa cadeira de rodas por problemas de saúde, parece ter feito as pazes com os corneteiros. Mas quem já não ouviu o sofisma segundo o qual Garrincha era melhor, mas, coitadinho, não era reconhecido como devia?

Messi é uma máquina de rendimento impressionante: no domingo (13) alcançou a marca de 400 gols em partidas válidas pelas liga espanhola —em 435 jogos, média absurda de 0,919. No total da carreira, são 659 jogos, 575 gols e 229 assistências. A estatística de Pelé é brutal: ele é o homem dos 1.281 gols. E não venha me dizer que a atual equipe do Huesca pode se comparar em categoria ao Juventus da rua Javari nos velhos tempos… 

Craque completo, atleta do século, o Rei beliscou a Pulga ao comentar que esta só chuta com uma perna, só tem uma finta e não cabeceia bem. Sim, Messi faz sempre o mesmo, mas os marcadores não sabem como pará-lo. Não era assim com Garrincha? 

O lugar do zero-dois está vago.



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