No New York Times, em editorial, “Lula está na prisão, e a democracia do Brasil está em perigo”. Abre dizendo que, “quando uma enorme rede anticorrupção varre o político mais popular de um país, a Justiça é feita, mas a democracia é testada”.

Mais especificamente, a Operação Lava Jato “deu um grande golpe na corrupção no maior e mais populoso país da América do Sul, mas também desestabilizou o sistema político do país, ajudou a empurrar a economia para a recessão e deixou milhares de desempregados”.

Afirma que, “por mais dolorosa e desalentadora que seja a queda de um líder carismático e dinâmico, não é hora de desistir”. Que juízes como Sergio Moro, “que liderou corajosamente a acusação na Car Wash, demonstraram que o Brasil tem as instituições e os meios para enfrentar os mais poderosos e mais populares dos malfeitores”.

Sem citar Jair Bolsonaro, alerta que “o perigo de uma guinada ao populismo e à radicalização política é óbvio”, mas que “ainda faltam seis meses para as eleições”, os quais “devem ser gastos na busca de um líder que possa assegurar que os ganhos contra a corrupção não sejam reveses para a democracia”.

Na revista New Yorker, um dia antes e com título muito parecido, “Lula cai, e a democracia brasileira parece mais frágil”. O longo texto assinado por Jon Lee Anderson abre citando diversos líderes latino-americanos acusados de corrupção e dizendo que “talvez se possa dizer, pelo menos, que o sistema judicial está prevalecendo. Ou não?”.

Afirma que “em alguns casos a corrupção alegada está clara, mas em alguns não está”, como na queda do peruano Pedro Pablo Kuczynski após uma “campanha coordenada”. E acrescenta: “Há uma sensação semelhante de vendeta política no caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Sublinha que ele “nega qualquer culpa no caso, uma questão emaranhada envolvendo um apartamento à beira-mar que ele supostamente pretendia comprar de um construtor a um preço favorável”. E que tem outros casos pendentes, “inclusive um envolvendo melhorias num sítio onde ele às vezes fica”.

Diz que Lula lidera com larga margem a corrida presidencial, que o segundo é o ex-militar Jair Bolsonaro, que o comandante do Exército pressionou pela condenação e que na “frequência militar de rádio”, quando o ex-presidente era levado para a prisão, sugeriram “jogar esse lixo pela janela”. Em suma:

“Dessa maneira —e com Lula na prisão e Temer na Presidência— a sensação não é de que algo próximo à Justiça tenha sido feito no Brasil. E as linhas de batalha estão sendo traçadas para os confrontos que estão por vir.”



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