O médico Marcelo Baboghluian atua há mais de 30 anos na área clínica e há pelo menos metade disso no âmbito da medicina esportiva. Seu nome é citado nas principais biografias da modalidade no Brasil: “Gabriel Medina”, de Tulio Brandão; “Como se tornar um campeão”, de Márcia Vieira, sobre a vida de Adriano de Souza, e em “Carlos Burle – profissão: surfista”, escrita pelo jornalista André Viana

por Janaína

Frequentador de Ubatuba desde a
década de 70, o médico divide a paixão pelo surfe entre horas no mar e outras tantas
no consultório em São Paulo. Atualmente, atende cinco atletas do circuito
mundial. Entre eles estão Gabriel Medina, Adriano de Souza, Caio Ibelli, Jadson
André e Italo Ferreira.

Ele acredita que ser surfista, de
certo modo, tenha influenciado o fato de hoje ser considerado o “médico dos
surfistas profissionais”, mas garante que o surfe é apenas uma entre centenas
de outras modalidades as quais seus pacientes praticam. “Atendo atletas da
seleção brasileira de vôlei, do boxe, da motovelocidade. Não saberia enumerar e
dizer todas elas, pois vou acabar esquecendo alguma”, confessa.

Apesar de contar com pacientes famosos, o doutor faz questão de lembrar que jamais usou este fator como autopromoção. “Nunca me autopromovi à custa de atleta”. Além do mais, seu instituto, o “Marazul” sequer tem placa na porta e quem chega até a Rua Major Natanael, 103 no Pacaembu sabe, por outros meios, o que acontece por lá.

Doutor Marcelo e a esposa Maria Lucia nos recebem em Itamambuca, local em o médico frequenta há 30 anos e razão de sumiços durante a faculdade. “Na época não tinha comunicação, a gente vinha pra cá e ficava isolado mesmo”. Foto Filipe Burjato.

A paixão pelo surfe

Neto de refugiados, doutor
Marcelo lembra com bastante ternura da atitude da avó paterna que o aproximou
do mar. “Ela se divorciou do meu avô e se mudou para o litoral”, conta. Ele
lembra que durante o tempo que passava na escola, gostava dos estudos, mas o
que queria mesmo era finalizar os deveres escolares para passar as férias ao
lado da avó e do mar.

“Lembro-me de ver Picuruta e
outros surfistas carregando suas pranchas”. Em Praia Grande também realizou seu
primeiro campeonato de surfe, no Boqueirão. Desse tempo, guarda até hoje uma
foto do palanque. “Foi muito bacana, teve até divulgação na mídia”, recorda.

Apesar de fazer parte do hall dos “fissurados”, o doutor conta que tornar-se surfista profissional nunca foi uma opção. “Meu pai dizia que eu poderia fazer o que quisesse da vida, mas primeiro iria estudar”.

A Medicina cursou em Taubaté por razões obvias. “Era perto de Ubatuba”. Sua companheira, a psicóloga Maria Lúcia Contreras, com quem divide uma vida e também a rotina de trabalho no Instituto, lembra com graça do período em que ele costumava sumir. “No começo eu estranhava, ele sumia por dias, eu ficava preocupada. Depois descobri a razão do sumiço: era Itamambuca”, conta Maria Lúcia.

O segredo para envelhecer com saúde e em cima da prancha

O surfe pode ser considerado um
esporte radical, de impacto e bastante desgaste físico. E apesar de o médico
atender surfistas profissionais, a maioria de seus pacientes é composta por
praticantes que levam a modalidade como hobby ou prática esportiva de
preferência. Surfistas de final de semana ou até mesmo mais assíduos que buscam
prolongar o tempo de vida em cima da prancha.

Quando pergunto qual o segredo
para a longevidade no surfe, o médico responde que a combinação de fatores
ligados à saúde geral, hábitos com nutrição, condicionamento físico e psiquismo
são a chave para qualquer pessoa que deseja manter-se o mais tempo possível
praticando seja qual for a modalidade esportiva.

“Tudo depende de um bom diagnóstico, exames laboratoriais e avaliação de rotina”, lembra. Soma-se a isso outra receita primordial. “Há de se ter disciplina e uma rotina que promova a saúde. Além disso, atividade física, nutrição e equilíbrio emocional vão determinar como você irá envelhecer”.

Em breve, uma grande novidade

Ao final da entrevista, regada a frutas, granolas e alguns pãezinhos (porque ninguém é de ferro) Doutor Marcelo me conta entusiasmado sobre uma novidade.

Pergunto a ele se posso falar a respeito e ele diz que não.
“Ainda não podemos, mas assim que puder eu vou te avisar”.

Meu ímpeto jornalístico, de dar qualquer coisa em primeira
mão, é logo afagado e esquecido diante de um gole de um delicioso café com
leite. Enquanto observo os pássaros multicoloridos beliscando os restos das
fatias de mamão, postas delicadamente pela esposa do doutor Marcelo em um ponto
estratégico da varanda.

Penso logo: que sorte a minha e o que de tão bom fiz pra merecer tamanha beleza de vida….

As naves do Dr. Marcelo. Foto Filipe Burjato.

Gostou da entrevista? Então, diz pra mim, como você pretende envelhecer surfando?

bjs e boas ondas 🙂



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