O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que a decisão americana de deixar o acordo nuclear com seu país é tola e superficial e cobrou a Europa a apresentar garantias de que o tratado continuará em funcionamento.

As declarações foram feitas em um discurso transmitido pela TV e publicadas nesta quarta-feira (9) no site oficial do aiatolá. Ele voltou a criticar tanto o acordo assinado em 2015 quanto o presidente americano Donald Trump, que na terça (8) anunciou que seu país sairia do tratado.  

“Vocês ouviram ontem à noite que o presidente da América fez alguns comentários tolos e superficiais”, disse Khamenei. “Ele disse mais de dez mentiras em sua declaração. Ele ameaçou o regime e as pessoas, dizendo que eu farei isso e aquilo. Sr. Trump, eu lhe digo em nome do povo iraniano: você cometeu um erro”. 

“Este homem vai virar cinzas e seu corpo será comido por cobras e formigas. E a República Islâmica [o Irã] continuará de pé”, disse ele. 

Khamenei, maior autoridade do Irã, apoiou com relutância o acordo nuclear fechado pelo país com potências internacionais e frequentemente critica os EUA, a quem acusa de não cumprirem sua parte no pacto.  

“Nós aceitamos o acordo nuclear, mas a inimizade contra a República Islâmica o Irã não acabou”, disse ele nesta quarta. “Eu já disse várias vezes, não confiem na América. E eu não confio nesses três países”, afirmou, em referência às três principais potências europeias que assinaram o tratado —Alemanha, França e Reino Unido.  

Khamenei adotou, assim, um tom mais agressivo em relação à Europa do que o presidente Hasan Rowhani, que na terça afirmou que pretendia manter o acordo.

Já o aiatolá se mostrou mais cético sobre a continuidade do acordo, pedindo que os europeus comprovem porque vale a pena manter o pacto. “Se eles conseguirem dar uma garantia definitiva —e duvido que consigam—, sem problemas, podemos seguir.  Mas se não conseguirem, não poderemos continuar neste caminho”.

As declarações do aiatolá ecoaram no Parlamento iraniano, onde deputados queimaram uma bandeira americana. Embora a prática seja comum no país, testemunhas disseram que é a primeira vez que viram isso acontecer dentro do Assembleia. 

O grupo, formado por políticos conservadores, também queimou uma cópia do acordo nuclear.  

 



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