Imigrantes mantidos em centros de detenção do lado americano da divisa com o México sofrem abusos psicológicos dos agentes de fronteira e vivem em condições horríveis, segundo um grupo de congressistas dos EUA que visitou estes locais nesta segunda (1º). 

A comitiva, formada principalmente por deputados de ascendência hispânica, foi a instalações nas cidades de El Paso e Clint, ambas no Texas, após uma série de denúncias nos dois locais. 

A democrata Alexandria Ocasio-Cortez criticou o tratamento dado aos imigrantes e afirmou que um deles relatou que um agente chegou a ameaçar obrigá-lo a tomar água da privada.

“Depois de eu conseguir entrar em uma cela com um mulheres e começar a conversar com elas, uma descreveu o tratamento dado pelos oficiais como uma guerra psicológica”, disse ela nas redes sociais.

Também presente a visita, a democrata Judy Chu fez coro com a correligionária. “Nunca me esquecerei da imagem de estar em uma cela vendo 15 mulheres com lágrimas no rosto enquanto elas contavam como foram separadas de seus filhos, como não têm acesso a água potável e como não sabem quando vão poder sair, já que algumas estão lá há mais de 50 dias”, afirmou ela. 

Na segunda, o site americano ProPublica publicou uma reportagem que mostra como agentes da patrulha de fronteira dos Estados Unidos fizeram piadas sobre a morte de imigrantes e postaram mensagens sexistas sobre Ocasio-Cortez em um grupo secreto no Facebook. 

A visita às instalações também foi alvo dos agentes e um deles chegou a afirmar que deveriam jogar comida em Ocasio-Cortez e Veronica Escobar, outra das deputadas que integraram a comitiva. 

A Patrulha de Fronteira americana vem enfrentando uma série de críticas devido às mortes de imigrantes sob seus cuidados e o tratamento dada às pessoas detidas em suas instalações.   

O CBP (Agência de Alfândega e Proteção de Fronteira) não quis comentar especificamente as declarações das deputadas, mas na segunda tinha lamentado o caso e afirmado que as declarações dos agentes nos grupos secretos feria suas regras de conduta. 

O presidente Donald Trump fez do combate a imigração ilegal uma das prioridades de seu governo e viu um aumento no número de detenções na fronteira —foram 132 mil em maio, maior número em mais de uma década. 



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