A F-1 passa por uma pequena revolta. Os novos proprietários da organização automobilística decidiram em janeiro que não usariam mais as grid girls, afirmando que deixariam de empregar modelos durante as cerimônias de abertura dos grandes prêmios porque a prática era inapropriada.

A organização decidiu que passaria a celebrar as crianças envolvidas nas categorias inferiores do automobilismo, durante as cerimônias. Com isso, as cinco primeiras provas da temporada foram realizadas sem a presença de modelos.

Mas elas estarão de volta ao grid neste final de semana, para o sexto grande prêmio da temporada, depois que os organizadores da prova de Mônaco decidiram desafiar a empresa que controla a modalidade, a Liberty Media.

“Não temos problemas com a Liberty Media, exceto a questão das grid girls”, disse Michael Boeri, presidente do Automóvel Clube de Mônaco, ao jornal local Monaco Matin. “E elas estarão lá, no grid”.

“São bonitas, e as câmeras voltarão seu foco a elas uma vez mais”, ele disse. Depois do anúncio dos organizadores de Mônaco, a Rússia aderiu e anunciou que haverá modelos no grid durante seu rande prêmio, em setembro.

“Não queremos abrir mão das garotas”, disse Serguei Voroviev, que promove o Grande Prêmio da Rússia. “Elas são maravilhosas. Estamos desenvolvendo abordagens criativas que permitirão que elas apareçam ao lado dos carros”.

“Talvez sejam atletas, talvez sejam representantes do mundo da arte russa. Mas minha tarefa é ter nossas garotas presentes no grid de largada”, afirmou.

“Crianças são apropriadas para o futebol, mas na indústria automobilística as mulheres sempre estiveram presentes, e isso é apropriado”, disse Dmitri Kozak, primeiro-ministro assistente da Rússia. “Se pudermos chegar a um acordo, reviveremos essa tradição. Alem disso, nossas garotas são as mais bonitas”.

Um ano depois de assumir o controle da F-1, a Liberty Media anunciou, em janeiro, que deixaria de usar grid girls. Em meio ao movimento #MeToo e ao crescente esforço para ampliar o papel das mulheres na ciência, tecnologia, engenharia e matemática, a organização decidiu que usar mulheres para fins puramente decorativos era anacrônico.

“Ao longo do ano passado, estudamos diversas áreas que em nossa opinião precisavam ser atualizadas para que se enquadrassem melhor à visão que temos quanto a esse grande esporte”, disse Sean Bratches, diretor executivo de operações comerciais da F-1.

Em lugar das grid girls, a categoria anunciou a parceria Grid Kids, sob a qual as autoridades nacionais de automobilismo indicam jovens pilotos locais para participar da cerimônia de abertura da prova, em cada corrida.

Os Grid Kids, já experientes em provas de kart e outras categorias menores, fizeram sua estreia na abertura desta temporada, o Grande Prêmio da Austrália, em março.

“Embora a prática de empregar grid girls tenha sido um marco para os grandes prêmios de F-1 durante décadas, sentimos que esse costume não é compatível com nossos valores de marca e claramente contraria as normas sociais modernas”, disse Bratches. “Não acreditamos que a prática seja apropriada ou relevante para a F-1 e seus torcedores, velhos e jovens, em todo o mundo”.

Jean Todt, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), elogiou o programa Grid Kids.

“Para a FIA como um todo, essa é uma excelente iniciativa que oferece apoio adicional às ASN [as federações nacionais de automobilismo integrantes da organização] em seus esforços para promover a expansão do automobilismo em todo o mundo”, ele disse.

O retorno das grid girls será bem recebido por alguns pilotos de F-1, muitos dos quais se opunham à mudança.

“Acho que sou tradicionalista e gosto de me apegar a certas coisas”, disse Sebastian Vettel, da Ferrari, quatro vezes campeão mundial, acrescentando que o entristece um pouco a ausência de grid girls.

Os comentários de Vettel foram ecoados por colegas. Pierre Gasly, que está em sua primeira temporada, pela Toro Rosso, considerou a mudança uma vergonha. Para ele, elas eram parte do DNA e do lado glamoroso da categoria.

Nico Hulkenberg, da Renault F-1, também se opõe à exclusão das modelos, definindo-a como “um passo para trás no esporte”. “Seria lamentável que eles tirassem a beleza do grid”, disse Hulkenberg ao jornal alemão Bild.

Nenhum outro circuito se uniu a Mônaco e à Rússia em anunciar que rejeitaria a proibição, mas o Grande Prêmio dos EUA, em Austin, Texas, tem uma longa tradição de um show pré-prova do qual participam as cheerleaders do Dallas Cowboys. Elas participarão do espetáculo este ano.

Mas existe uma diferença entre as grid girls, que não têm função prática nas provas, e a existência continuada de mulheres bonitas no esporte, disse Chase Carey, presidente-executivo da F-1.

A reação à exclusão das modelos foi a esperada, segundo ele. “Algumas pessoas receberam a medida positivamente e outras expressaram preocupação. Não surpreende que muitos espectadores as considerem parte do esporte, e respeito esse ponto de vista”.


Tradução de Paulo Migliacci



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