Representantes da Fiba (Federação Internacional de Basquete) vieram ao Brasil para conferir o andamento das ações de reestruturação da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), após irregularidades constatadas em gestões anteriores da atual do presidente Guy Peixoto, que levaram a entidade até a cumprir suspensão tempos atrás. A princípio, a lição de casa parece em dia.

Relatório de auditoria contratada para desvendar a situação financeira da confederação e a dívida acumulada ao longo dos últimos anos revelou um passivo até o final de 2017 de R$ 38 milhões e uma série de anormalidades. O ex-presidente Carlos Nunes, que já havia deixado o cargo, está proibido pelo prazo de 10 anos de ocupar e se eleger para qualquer cargo na CBB ou em suas afiliadas.

A crise enfrentada pelo basquete ainda não foi superada, embora a nova direção da CBB tenha manifestado a intenção de se empenhar para garantir melhores dias e que os principais torneios nacionais, promovidos pelas ligas, estejam a todo vapor, e fazendo sucesso.

A tarefa de recolocar a CBB nos eixos é complicada. Até mesmo o aspecto técnico propriamente dito da modalidade anda comprometido. A seleção masculina, por exemplo, não garantiu vaga para os Jogos Pan-Americanos de Lima-2019. Na competição não estará em jogo vaga olímpica no torneio de basquete, mas a presença do Brasil na disputa é tradicional e serviria de teste para jovens valores e revelações.

É a primeira vez que a ausência vai ocorrer desde a pioneira realização do evento em Buenos Aires-1951.

Nesse período, tanto no Pan como no Mundial, Brasil e EUA foram os únicos com presenças em todos os torneios. A seleção masculina tem 14 medalhas no Pan (seis de ouro, duas de prata e seis de bronze).

Total igual ao dos EUA, com oito de ouro, além de três de prata e outras três de bronze.

O Pan, inclusive, propiciou ao time brasileiro masculino uma das campanhas épicas de sua história, que foi a conquista do título de Indianápolis-1987, quando derrotou os anfitriões norte-americanos na decisão, então apontados como franco favoritos. O feito ganhou destaque na mídia e repercutiu nos Estados Unidos, berço do basquete e país no qual a modalidade, indiscutivelmente, é a mais evoluída do mundo.

Liderados por Oscar e Marcel, os brasileiros bateram os norte-americanos por 120 a 115. Quem não se lembra? Naquele time estavam ainda André, Rolando, Gérson, Cadum, Guerrinha, Israel, Paulinho, Sílvio, Pipoka e Maury. Foi a primeira derrota dos norte-americanos em casa, quebrou uma série de 34 vitórias consecutivas e ainda aplicada com inédita contagem acima de 100 pontos.

Jogadores da NBA, a poderosa e milionária liga profissional dos EUA, não participavam de eventos da Fiba e do COI. Mas o time contou com David Robinson, estrela em ascensão e que logo depois integraria o San Antonio Spurs, na NBA, e o Dream Team, a primeira seleção olímpica norte-americana com profissionais, campeã em Barcelona-92. Danny Manning e Rex Chapman, outros futuros astros da liga, também estavam no time.

Será que os torcedores terão chance de voltar a se empolgar com a seleção brasileira como naqueles tempos? Ou como nas conquistas das medalhas de bronze olímpicas de 1948, 1960 e 1964? Dos títulos mundiais do Chile-1959 e Rio-1963, e de mais duas pratas e dois bronzes? Ou dos lances de Amaury, Wlamir, Ubiratã, Succar, Mosquito, Rosa Branca, Edvar, Pecente e cia? Ou um pouco depois das jogadas de Carioquinha, Marquinhos, Hélio Rubens e outros da época?

Sem contar da magia e magistral camiseta listrada da seleção. Sempre há esperança, mas é como aguardar um milagre, um daqueles de arrepiar os cabelos, com dizem por aí.

Jogos Sul-Americanos

Enquanto o basquete tenta encontrar saída para o seu drama, atletas de 15 modalidades buscam nos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, na Bolívia, a partir de sábado (26), vagas para o Pan-2019. Para alguns esportes, o Pan é um passo rumo aos Jogos Olímpicos de 2020. Com uma delegação de pouco mais de 300 competidores e de uma centena de integrantes de apoio (oficiais, médicos e comissões técnicas, entre outros), o Brasil lá estará representado.

Aproximadamente 4.350 atletas participarão de 49 modalidades –o Brasil em 35 delas. As que serão seletivas para o Pan: atletismo, boliche, ciclismo BMX, ciclismo estrada, ciclismo MTB, ciclismo pista, handebol, hóquei sobre grama, caratê, natação, pentatlo moderno, rugby, tiro esportivo, triatlo e wrestling. As disputas na Bolívia ganham relevância como parte da caminhada olímpica.



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