Um dos grandes patrocinadores nos EUA da indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada em Washington foi o empresário Clifford Sobel, que serviu como embaixador no Brasil de 2006 a 2009, durante o governo de George W. Bush.

Sobel é próximo ao atual presidente dos EUA, Donald Trump, e ao assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton.

Em janeiro deste ano, foi nomeado por Trump para integrar o Conselho de Assessoria em Inteligência da Casa Branca.

Um dos principais arrecadadores de recursos para o Partido Republicano e influente na comunidade judaica, Sobel é dono do Valor Capital Group, que investe em empresas de tecnologia no Brasil e nos Estados Unidos.

O empresário ajudou a agendar encontros durante a visita de Bolsonaro a Washington, em março, e teria incentivado a entrada de Eduardo no Salão Oval para o encontro bilateral entre o presidente brasileiro e Trump, episódio que causou mal-estar com o chanceler Ernesto Araújo.

Depois, quando Bolsonaro cancelou sua ida a Nova York devido a protestos e à reação do prefeito da cidade, o democrata Bill de Blasio, Sobel costurou, na última hora, encontro de Bolsonaro com Bush no Texas. 

O mais cotado para assumir a embaixada, Nestor Foster, muito próximo a Ernesto, foi pego de surpresa pelo anúncio da decisão do presidente de indicar Eduardo para a representação diplomática brasileira nos EUA, segundo vários relatos ouvidos pela Folha.

Nesta quinta (11), Bolsonaro disse que decidiu indicar seu filho Eduardo como embaixador do Brasil nos Estados Unidos, mas que cabe ao atual deputado federal aceitar ou não o cargo. 

Advogado e escrivão da Polícia Federal, Eduardo não tem formação internacional específica. É um dos mais influentes expoentes do chamado grupo ideológico do governo, influenciado pelas ideias do escritor brasileiro radicado nos EUA Olavo de Carvalho.

Foi ele quem avalizou a indicação, feita por Olavo, do diplomata Ernesto Araújo para o cargo de chanceler.

Ambos têm trabalhado em dupla, com o deputado à frente da Comissão de Defesa e Relações Exteriores da Câmara, e trocam elogios constantemente.

No Itamaraty, desafetos do ministro inclusive chamam Eduardo de “chanceler sombra”, por fazer a ligação direta entre Araújo e o pai presidente.



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