A advogada que representa duas ex-cheerleaders que recentemente abriram um processo por discriminação contra a NFL, a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, fez uma proposta de acordo: se suas clientes puderem realizar uma reunião de “boa fé”, e com quatro horas de duração, com o comissário da liga, Roger Goodell e seus advogados, elas aceitarão encerrar o processo por US$ 1.

A proposta de acordo, encaminhada a um advogado da NFL na terça-feira, solicita que a liga se reúna com pelo menos quatro cheerleaders para “preparar um conjunto de regras e normas compulsórias que se aplique a todas as equipes da NFL”.

A proposta foi preparada e encaminhada por Sara Blackwell, advogada da Flórida que representa duas ex-cheerleaders. Bailey Davis, do New Orleans Saints, e Kristan Wade, do Miami Dolphins, que recentemente abriram processos contra a organização por discriminação de gênero.

A carta tem pouco mais de uma página, e seu principal pedido é uma reunião com Goodell, mas ela poderia forçar a liga a dar o próximo passo no que se tornou uma desconfortável batalha de relações públicas.

Blackwell pediu que a NFL responda até o dia 4 de maio.

“Não estamos pedindo que eles admitam seus erros, admitam culpa, nem mesmo que admitam que havia algo de errado”, disse Blackwell em entrevista por telefone. “Mas se eles querem e esperam que as cheerleaders tenham um ambiente de trabalho justo, como afirmaram, então não faz sentido algum que a resposta seja não”.

A carta foi encaminhada a Steven Hurd, advogado do escritório Proskauer, de Nova York, que frequentemente representa a NFL.

A carta é o mais recente desdobramento a colocar em destaque a maneira pela qual as cheerleaders são tratadas na NFL – e, por extensão, a percepção do público sobre elas.

Dezenas de cheerleaders e ex-cheerleaders se pronunciaram sobre as indignidades de uma profissão muitas vezes considerada glamorosa, e vista como pináculo na carreira de uma dançarina. Algumas detalharam queixas que incluem assédio sexual generalizado, e às vezes físico, da parte dos torcedores, um problema do qual os times estão cientes, e se queixaram de salários muito baixos e jornadas de trabalho longas, e de regras severas sobre quase tudo, de seu peso e aparência ao seu uso de mídia social, que não se aplicam aos jogadores ou a outros representantes dos times.

A NFL respondeu com um comunicado escrito, de tom ameno, mas sem oferecer ideias concretas para resolver os problemas.

“A NFL e as equipes que a integram apoiam práticas justas de emprego”, afirma uma recente declaração da liga que Blackwell citou na carta em que propõe acordo. “Todos que trabalham na NFL, o que inclui as cheerleaders, têm o direito de trabalhar em um ambiente positivo e respeitoso, livre de toda e qualquer forma de assédio e discriminação e que cumpra plenamente todas as leis federais e estaduais”.

A carta de Blackwell à liga acrescentava que “se a NFL fala sério nessa declaração, nossa demanda de acordo deveria ser aceitável. É uma proposta que custaria virtualmente nada à NFL e aos seus times, e garantiria um ambiente positivo e de respeito que a NFL declara ser direito das cheerleaders”.

Uma das cheerleaders presentes seria Davis, que foi demitida da Saintsations, a equipe de dança e animadoras de torcida do Saints, depois de postar uma foto dela mesma no Instagram. Ela apresentou queixa à Comissão pela Igualdade nas Oportunidades de Emprego, acusando o time de manter padrões diferentes para homens e mulheres.

Outra das cheerleaders que participaria de uma eventual reunião com a NFL seria Ware, que trabalhou por três temporadas no Miami Dolphins,. No começo do mês, ela apresentou queixa à Comissão de Relações Humanas da Flórida, afirmando ter sido discriminada por conta de seu gênero e religião.

Blackwell disse que as duas outras cheerleaders que compareceriam à reunião não foram determinadas, mas que não teriam associação com ela e viriam de outros times. As quatro cheerleaders querem discutir tanto as práticas de emprego “ilegais” quanto as “legais mas reprováveis” que dominam o mercado das animadoras profissionais de torcida, de acordo com a carta.

“Queremos mudança”, disse Blackwell. “Queremos oportunidade de mudar”.

Se a NFL rejeitar a proposta, as queixas feitas por Davis e Ware vão continuar seu percurso judicial. Se a NFL aceitar a carta, não há garantia de que a reunião seja frutífera ou que melhore muito as condições das cheerleaders.

“Compreendo que eles podem se reunir conosco, nos tratar de modo condescendente, e nada fazer, depois”, disse Blackwell. “Compreendo o risco. Mas é um risco que estamos dispostas a aceitar, em busca de mudança real”.

Tradução de PAULO MIGLIACCI



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