A administração de Donald Trump impôs novas restrições de viagens à Cuba na terça-feira (4), em um movimento para pressionar o governo comunista da ilha —Washington acusa Havana de apoiar o regime venezuelano do ditador Nicolás Maduro.

O governo americano proibiu viagens educativas em grupo e também embarcações recreativas e de passageiros, inclusive cruzeiros e iates, assim como viagens em aviões comerciais e particulares.

“Cuba continua a desempenhar um papel desestabilizador no Hemisfério Ocidental, fornecendo uma plataforma comunista na região e apoiando adversários americanos em lugares como Venezuela e Nicarágua, ao fomentar a instabilidade, minar o Estado de Direito e suprimir processos democráticos”, declarou o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, ao anunciar as medidas.

“Este governo tomou uma decisão estratégica para reverter o relaxamento das sanções e outras restrições ao regime cubano. As ações vão ajudar a manter os dólares americanos fora do alcance dos serviços militares, de inteligência e de segurança cubanos”, disse ele em um comunicado.

Os Estados Unidos aplicam desde 1962 um bloqueio econômico contra Cuba, a fim de forçar uma mudança de regime. Desde a chegada de Trump ao poder, o governo tem reforçado as medidas contra a ilha, minando a aproximação conduzida por seu predecessor, o democrata Barack Obama. Trump já havia proibido as visitas individuais e limitado as interações comerciais com o país.

O fim das viagens educacionais em grupo será, provavelmente, um golpe para o turismo americano na ilha, que decolou com as iniciativas tomadas por Obama. O projeto do Tesouro proíbe as chamadas “viagens educacionais coletivas”, mecanismo que permitia a grupos de turistas passarem algum tempo com cubanos, depois de chegarem à ilha. 

Segundo especialistas, as novas restrições devem terminar com os cruzeiros dos Estados Unidos para Cuba, que foram permitidos entre 2014 e 2016, durante a administração Obama. “É uma pena, porque os cruzeiros levavam muitos programas valiosos de viagem educacional, conduzidos por instituições de ponta como a National Geographic, e [os museus] Smithsonian, Metropolitan e dezenas de outros”, disse o advogado Robert Muse para a agência Reuters.



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