O livro “London, London”, de Rodrigo Rodrigues, ensina que Arsenal é a única estação do metrô de Londres que corresponde a um estádio de um clube de futebol. 

Era assim quando o campo era em Highbury e segue sendo com o Emirates, a dez minutos a pé do velho campo. Pegue o metrô na estação Piccadily Circus, no centro da capital inglesa e, em menos de meia hora, você estará no estádio do Arsenal.

Se preferir assistir ao Chelsea, do mesmo ponto chegará a Stamford Bridge, perto da estação Fulham Broadway, em 25 minutos. Uma semana vivida em Londres, exatamente no período em que só existe futebol de alto nível na Inglaterra, é especial para amantes do esporte. Não que se discuta as partidas em todas as esquinas. É possível passar sete dias no Reino Unido sem falar de bola.

Para quem gosta, impossível.

Entre os dias 22 de dezembro e 4 de janeiro, só houve grandes jogos na Premier League, ainda que a Série A da Itália tenha tentado copiar o sucesso inglês do inverno. O que os italianos conseguiram foi propaganda negativa. A torcida da Internazionale entoou cânticos racistas contra o Napoli. O tiro saiu pela culatra.

Enquanto isso, o Liverpool amassou por 5 a 1 o Arsenal, que se vingou com 4 a 1 no Fulham, e o Manchester United recuperou-se do desastre da terceira temporada de José Mourinho com quatro vitórias seguidas sob o comando de Solskjaer e 14 gols marcados.

Na quinta-feira (3), Manchester City 2 x 1 Liverpool fechou a abstinência do resto do planeta devolvendo a emoção ao torneio de altíssimo nível mais equilibrado que existe —Liverpool 54 pontos, City 50.

Assim como a Espanha trabalhou para transformar Barcelona x Real Madrid no maior clássico do planeta, a Premier League suou para ter o maior torneio de futebol do mundo. Quando houve a tragédia de Sheffield, em 1989, a média de público do campeonato era de 19 mil espectadores por jogo. A diferença para o Brasil é que, na época, era o fundo do poço deles, e os 18 mil atuais representam o melhor índice do Brasileiro em 31 anos.

A média de público deles já havia sido pior. Mas era o fundo do poço porque a violência fazia parecer inviável aos ingleses disputarem a primazia do futebol mundial com a Itália, rainha da época. Naquele tempo, Chris Waddle era o destaque do English Team e jogava pelo Olympique, na França.

O livro Illustrated History of Football fala sobre a guerra de egos dos clubes ingleses antes da criação da Premier League. Tudo se parece, exceto a moeda, entre Brasil 2018 e Inglaterra 1989. Naquele período, a lira italiana valia menos do que a libra esterlina, e os italianos faziam um campeonato muito melhor.

Pegue o metrô na Praça da Sé e, em 35 minutos, você descerá na nova estação Morumbi, pela linha amarela. Pela linha vermelha, em dez minutos estará na Barra Funda, mas isso exigirá uma caminhada de mais 15 até o Allianz Parque. Da Praça da Sé a Itaquera, meia hora. Até o Canindé, quinze minutos e, no máximo, até a estação Bresser, que leva à rua Javari em mais um quilômetro a pé.

Não se compara o nível das cidades nem dos campeonatos. Por outro lado, ninguém mostrou com o cuidado devido que, desde outubro, qualquer torcedor pode ir a qualquer estádio de São Paulo de metrô.

Espantoso é que, ninguém, após 30 anos de reclamações sobre a dificuldade de ir aos estádios, tenha chamado a atenção para isso. Os ingleses prestaram atenção a cada detalhe para transformar o torneio da violência no campeonato mais admirado do planeta.

Não vai mudar aqui se quem organiza não chamar a atenção para o que vale a pena.



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