O Santos vai assumir a liderança do Brasileiro se vencer se vencer o Avaí, neste domingo (28), na Vila Belmiro

Já não é novidade ter técnico estrangeiro na liderança, porque o São Paulo, com Diego Aguirre, ganhou o 1º turno do ano passado. Segue o tabu de não haver técnico campeão desde o Bahia de 1959, treinado pelo argentino Carlos Volante.

Nesta semana, Sampaoli quebrou o silêncio para falar sobre preconceito. “Tenho de provar que sou um trabalhador correto e fazer com que os técnicos que estão aqui há mais tempo me aceitem”, disse .

A frase só é surpreendente, porque, nos primeiros 6 meses, Sampaoli agradeceu a receptividade da cidade de Santos. Apenas trabalhou bem o suficiente para fazer o Santos disputar a liderança, mesmo sendo o 7º elenco mais caro do país.

A discussão sobre os treinadores estrangeiros no Brasil é burra, porque ora se justificam suas contratações pela suposta incompetência dos brasileiros, como se todos fossem ruins, ora condenam-se suas presenças, como se não tivessem condição de se adaptarem ao que se passa do lado de cá da fronteira. A equação é mais simples: contratar o melhor treinador possível pelo dinheiro disponível. Em outras palavras, Guardiola não vem.

Nos últimos 15 anos, passaram por aqui técnicos de Copa do Mundo, como Jorge Sampaoli, Paulo Bento, Daniel Passarella e Ricardo Gareca. Outros de mercado na Europa, como Jorge Jesus. Grifes sem trabalho confirmado, caso de Lotthar Matthäus, no Athletico-PR. Também inexpressivos, como Miguel Angel Portugal.

Não há dúvida de que os 5 primeiros nomes listados têm competência e trazem boas ideias. Já foi assim no passado e, para quem pensa que se está falando de Dori Kurschner, no Flamengo de 1937, ou Fleitas Solich, também na Gávea em 1953, vale a lembrança de que Felipão chegou ao Grêmio pela 1ª vez, em 1987, para substituir o uruguaio Juan Mujica.

“Aqui, quando acaba um jogo, sempre se sabe o culpado. O técnico de um banco ou de outro”, disse Sampaoli depois da derrota por 4 a 0 para o Palmeiras. Não reclamava de preconceito, mas do pior inimigo dos treinadores no Brasil: a impaciência. Sampaoli comparou a situação a de Marcelo Bielsa, que recebeu carta de agradecimento da torcida do Leeds United, mesmo após fracassar na tentativa de subir da 2º divisão à Premier League.

Na Inglaterra, o 1º treinador não britânico foi o tcheco Jozef Venglos, no Aston Villa, apenas em 1990. Escapou do rebaixamento por 2 posições. 

No ano seguinte, o Leeds United foi campeão com Howard Wilkinson, o último técnico inglês campeão. De lá para cá, ganharam os escoceses Kenny Dalglish e Alex Ferguson, o português José Mourinho, os italianos Carlo Ancelotti, Antonio Conte, Roberto Mancini e Claudio Ranieri, o espanhol Josep Guardiola, o chileno Manuel Pellegrini e o francês Arsene Wenger. 

Quando Pellegrini sofreu a 1ª derrota pelo Manchester City, para o Cardiff, na 2ª rodada da temporada 2013/14, o ex-centroavante Gary Lineker escreveu no Twitter: “Bem-vindo à Premier League.” A ironia terminou porque o chileno ganhou o campeonato em seu ano de estreia. Em 1996, o Arsenal contratou Arsene Wenger, já campeão na França e no Japão. Foi recebido com a manchete do Evening Standard: “Arsene Who?” Arsene quem?

Seria preconceituoso julgar que só há preconceito no Brasil. Melhor comemorar a competência e a diversidade. É bom ter Felipão, Sampaoli, Jorge Jesus, Tite, Mano Menezes, Renato Gaúcho, Cuca e Pia Sundhage, bicampeã olímpica, nova treinadora da seleção feminina.



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