O deputado democrata Al Green entrou nesta terça-feira (16) com um pedido de impeachment contra o presidente Donald Trump   — a primeira iniciativa do tipo tendo como alvo o atual mandatário dos EUA.

Analistas consideram pouco provável que o pedido seja de fato votado, mas força a Casa a tomar uma decisão, criando um dilema para líderes políticos do país, que têm tentado evitar a questão. 

Democrata do Texas, Green disse que avisou ao longo do dia os líderes de seu partido de que protocolaria oficialmente o pedido na Câmara na noite desta terça, após a votação de uma moção de repúdio contra Trump —medida que tem efeito apenas simbólico— por declarações racistas que ele fez contra quatro deputadas democratas.   ​

“Donald Trump, por suas declarações, colocou o alto cargo de presidente dos EUA em uma situação de desrespeito, ridículo, vergonha e descrédito; semeou discórdia entre o povo americano; demonstrou que é incapaz de ser presidente e traiu sua confiança como presidente dos Estados Unidos para o prejuízo manifesto do povo americano, e cometeu uma alta ilegalidade no cargo”, leu Green no plenário da Casa. 

Segundo o deputado, é exatamente nessas críticas que baseiam seu pedido.

Mais de 80 congressistas da oposição já defenderam publicamente o impeachment de Trump, mas ninguém até o momento tinha feito o pedido oficial para iniciar o processo.

Caberá à presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, decidir o que fazer. Ela pode suspender o pedido, enviá-lo para ser analisado por uma comissão específica ou levá-lo ao plenário para ser votado.

Caso nada aconteça, Green poderá pedir após duas sessões que o plenário decida o que fazer —a Casa tem maioria democrata.   

Pelosi e o resto da liderança da oposição no Congresso já se manifestaram contra o impeachment porque acreditam que ele não tem chance de ser aprovado no Senado, de maioria republicana. 

Para que um presidente sofra o impeachment, a Câmara precisa primeiro aprovar por maioria simples a abertura do processo. 

Com isso o caso vai ao Senado, a quem cabe realizar uma sessão comandada pelo presidente da Suprema Corte para julgar se o mandatário cometeu ou não um crime que justifique a punição —dois terços dos senadores precisam votar a favor da condenação . 

É apenas após a condenação no Senado que o presidente deixa o cargo, o que nunca aconteceu na história americana. 

Apenas dois presidentes tiveram o processo aberto pela Câmara: Andrew Jackson em 1868 e Bill Clinton em 1998. Os dois, porém, acabaram absolvidos no Senado. 

Além deles, Richard Nixon renunciou em 1974 durante o processo de impeachment, quando sua condenação já era dada como certa no Congresso.



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