Depois de uma forte reação pública, centenas de crianças migrantes foram transferidas de um imundo posto da Patrulha de Fronteiras no Texas, onde passaram semanas detidas sem acesso a sabonete, roupas limpas ou alimentação adequada, confirmaram as autoridades na segunda-feira (24).

Algumas das crianças foram transferidas para um sistema de abrigos mantido pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, enquanto outras foram enviadas a uma instalação temporária de tendas em El Paso, segundo Elizabeth Lopez-Sandoval, porta-voz da deputada democrata Veronica Escobar, do Texas.

Foi a congressista que começou a examinar a instalação lotada em Clint, no Texas, na semana passada, depois de ouvir relatos sobre as condições no local.

A medida ocorre dias depois que um grupo de advogados teve acesso ao posto em Clint e disseram que havia crianças de apenas 8 anos cuidando de bebês, bebês sem fraldas e crianças que disseram acordar à noite porque sentiam fome. Depois que chegaram, em 17 de junho, e viram as condições, os advogados começaram imediatamente a fazer pressão para que as crianças fossem libertadas.

A Patrulha de Fronteiras estava enviando as crianças para Clint porque a agência enfrentava um grande fluxo de pessoas cruzando a fronteira e não tinha espaço suficiente para abrigá-las durante o período de processamento normal na fronteira, de 72 horas. 

As crianças ou foram separadas de membros da família adultos com quem tinham cruzado a fronteira ou eram filhas de mães adolescentes que também estavam detidas ali. Alguns menores estavam detidos havia quase um mês. 

Os advogados que visitaram a instalação, entrevistados primeiramente pela agência Associated Press e depois pelo jornal The New York Times, disseram que as crianças não tinham acesso a banheiros privativos, sabonetes, escovas ou pastas de dentes. Muitas vestiam as mesmas roupas sujas com que tinham cruzado a fronteira semanas antes.

A superlotação generalizada nas instalações da Patrulha de Fronteiras foi documentada recentemente em relatórios do inspetor-geral do órgão, mas jornalistas e advogados tiveram pouco acesso às instalações cercadas. 

Algumas crianças doentes ficaram em quarentena em Clint, e os advogados que viajaram para lá puderam falar com elas por telefone, mas não pessoalmente. 

Lopez-Sandoval disse que só 30 crianças continuam em Clint. O posto da Patrulha de Fronteiras nesse local deveria ser temporário, e as crianças deveriam ser transferidas depois de 72 horas. Mas muitas ficaram lá porque os abrigos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos estavam cheios.

A pressão sobre esse sistema começou a diminuir na semana passada em consequência de duas mudanças: primeiro, o governo mexicano lançou iniciativas mais duras para limitar o número de pessoas que cruzam a fronteira vindas da América Central, sob pressão do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos.

Segundo, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos reviu uma política que exigia a tomada de impressões digitais de parentes que se inscreviam para abrigar as crianças, acelerando sua libertação das instalações do governo.

Muitos que se oferecem para cuidar das crianças vivem nos Estados Unidos ilegalmente e não querem apresentar identificações que possam colocá-los, ou a seus parentes, sob risco de prisão e deportação. 

Uma autoridade do Departamento de Segurança Interna disse que as condições nas tendas em El Paso são muito melhores que em Clint porque a instalação foi construída especialmente para famílias, embora não se saiba se as crianças tiveram acesso a sabonetes ou chuveiros desde que chegaram.

A autoridade, que pediu para não ser identificada porque não estava autorizada a falar sobre a situação, disse que as crianças seriam examinadas por médicos quando chegassem a El Paso, mas ainda não ficou claro se alguma precisou ser hospitalizada.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves 



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