Criado após a alteração do estatuto do COB (Comitê Olímpico do Brasil), o Conselho de Ética da entidade decidiu abrir processo ético contra a CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) e o treinador Marcos Goto, em razão dos casos de abuso sexual cometidos pelo ex-treinador Fernando Carvalho Lopes. A informação foi divulgada pelo Sportv e confirmada pela Folha.

​A decisão para abertura deste processo ocorreu no início da noite de sexta-feira, após o órgão receber uma representação encaminhada pela Comissão de Atletas do COB. O documento foi assinado pelo presidente da comissão, o ex-judoca Tiago Camilo.

“Recebemos a representação na sexta-feira e decidimos então intimar o Goto e a CBG para apresentarem suas informações. O prazo para isso é o de cinco dias úteis, conforme consta no regimento interno do Conselho de Ética”, afirmou à Folha o advogado Alberto Murray, presidente do conselho.

O prazo para que tanto a CBG quanto Marcos Goto, que é o coordenador técnico da entidade, apresentem suas justificativas, termina nesta quarta-feira (9).

Após esta data, os cinco integrantes do Conselho de Ética – além de Murray, o órgão é formado por Caputo Bastos, ​Ney Bello, Samy Arap e Bernardino Santi – irão se reunir para analisar o caso. Se entenderem que haverá a necessidade de abertura de investigação, será nomeado um relator que dará andamento ao caso.

As punições nos processos, de acordo com o regimento interno, podem ser desde advertência velada ou escrita até, para casos mais graves, uma suspensão preventiva de 30 dias.

No caso de prestadores de serviço do COB (como é o caso de Goto, que é contratado pela CBG mas tem os salários pagos pelo comitê olímpico), pode haver ainda uma recomendação para que o funcionário seja desligado.

“Nós não temos competência legal para romper contratos de trabalho, por exemplo. Podemos apenas fazer uma recomendação à direção do COB para demitir um funcionário que tenha cometido um desvio ético”, afirmou Murray.

Segundo vários atletas ouvidos pelo Fantástico, da TV Globo, no último dia 29 de abril, Marcos Goto tinha conhecimento dos abusos sexuais que sofreram de Fernando Lopes. Mas, além de não tomar nenhuma atitude, fazia brincadeiras com os atletas abusados.

A CBG divulgou na última sexta-feira (4) uma nota oficial após a realização de uma Assembleia Extraordinária, segundo a qual reafirmava sua confiança em Marcos Goto.

A entidade lembrou ainda que foi o treinador quem incluiu em um seminário realizado em janeiro o tema do combate ao abuso e assédio. A CBG declarou ainda que formará seu Conselho de Ética e Integridade em até 30 dias.



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