Com a escolha de Osmar Loss, 42, pelo Corinthians, a Série A do Brasileiro tem sete treinadores que nunca foram jogadores profissionais. São 35% dos 20 clubes que estão no torneio. 

Formado em educação física e dono de licença A da CBF (a segunda mais alta oferecida pela entidade), Loss substitui Fabio Carille, que aceitou proposta para dirigir o Al Wehda, da Arábia Saudita. 

“O Carille assinou e o Duilio [Monteiro Alves, diretor de futebol] me chamou. Não teve nada preparado. A gente vai se preparando para ir bem quando chegar a hora. São 20 anos de futebol”, disse o novo técnico corintiano.

Ele estreia nesta quinta (24), contra o Millonarios (COL), no Itaquerão, pela Copa Libertadores. Será a última partida da fase de grupos. Segundo o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, Loss está confirmado “até a Copa [do Mundo]”, que termina em julho.

A escolha do novato foi opção pela manutenção da filosofia de trabalho e também por um nome que já vinha sendo preparado para assumir o profissional. Loss chegou a quatro finais consecutivas da Copa São Paulo, pelo sub-20, antes de virar auxiliar de Carille no início deste ano.

Foi caminho parecido com o de Thiago Larghi, 37, atual treinador do Atlético-MG e escolhido após a queda de Oswaldo de Oliveira. Ele já estava no clube como integrante da comissão técnica. Assim como Loss, nunca foi jogador profissional. Começou como analista de desempenho e também fez o curso da licença A da CBF.

“Os jogadores acreditam no que a gente fala e isso é o melhor. Sem isso não adiantaria nada. Tudo o que a gente consegue é por causa do estudo, do trabalho”, afirma Larghi.

Além dos dois, Maurício Barbieri, 36 (Flamengo); Enderson Moreira, 46 (América-MG); Zé Ricardo, 47 (Vasco); Gilson Kleina, 50 (Chapecoense); e Guto Ferreira, 52 (Bahia) nunca foram atletas profissionais e hoje comandam equipes da Série A.

Desses, Barbieri, Moreira e Zé Ricardo possuem a licença A da CBF. O técnico do Flamengo também tem o certificado B da Uefa.

A partir de 2019, a CBF vai exigir que os técnicos da Série A tenham licença de especialização. Serão abertas exceções a profissionais de reconhecida experiência. São os casos de Kleina e Ferreira, que trabalham no futebol desde o final dos anos 1980.

Os sete treinadores que não foram atletas são formados em educação física.

Em comparação com as principais ligas europeias, a elite brasileira dá mais chances a quem não foi atleta profissional. Nas primeiras divisões de Inglaterra e Espanha, todos os times tinham ex-jogadores como técnicos no fim da última temporada. Na Alemanha, quatro fugiram à regra.

“É uma questão de receber a chance e provar o seu valor. Muitas vezes tudo o que o profissional necessita é uma chance e pode dar certo”, declara Zé Ricardo, que foi profissional no futsal antes de começar a trabalhar no campo.

Nos 13 clubes da elite brasileira que têm treinadores ex-atletas, há jovens que ainda buscam se firmar na profissão, como Odair Hellmann, 41 (Internacional), e Alberto Valentim, 43 (Botafogo).

Outros têm passagens pelo exterior (Abel Braga, 65, do Fluminense), seleção brasileira (Mano Menezes, 55, Cruzeiro) e títulos internacionais (Renato Gaúcho, 55, Grêmio).

“Eu defendo que essa nova geração seja valorizada mesmo e receba chances. Eles estão se preparando para isso, assim como nós [veteranos] nos preparamos para ter sucesso. O caminho que eles estão percorrendo merece ser incentivado”, afirma Abel Braga. 



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