Nova atração olímpica, o skate sofreu uma dura queda com sua exclusão dos Jogos Pan-Americanos, previstos para julho próximo em Lima, no Peru. Na verdade, a modalidade procurou confusão, encontrou e acabou castigada com o peso de uma decisão política.

A Panam Sports (ex-Odepa), entidade responsável pela organização do Pan e que reúne 41 comitês olímpicos nacionais das Américas e do Caribe, decidiu punir o skate porque os dirigentes da modalidade não adotaram o evento peruano como parte do ranking classificatório para Tóquio-2020.

Além disso, a World Skate, entidade internacional que cuida do esporte, anunciou a disputa no mesmo período do Pan de um torneio da especialidade street, em Los Angeles, nos Estados Unidos, com contagem de pontos válida na corrida pelas vagas olímpicas.

Na Olimpíada, o skate promoverá disputas nas especialidade street, quando a pista simula obstáculos de rua (rampas, corrimões e escadarias, entre outros), e park, com obstáculos altos, de mais de três metros, paredes, transições complicadas e bowls (pista com formato de piscina).

Há outros desencontros do skate com as regras da entidade pan-americana. Desafio intencional ou atropelo involuntário, provocado pela nova condição da modalidade, agora integrante do mundo olímpico?

Causa espanto a postura do skate, que abriu a guarda a questionamentos em momento tão especial e de exposição da modalidade. Falta de competência? Nada disso é improvável. As proezas da cartolagem esportiva sempre surpreendem, raras vezes para o bem e muitas para o mal.

Por enquanto, o embaraço não supera um voto de confiança, pois o skate tem novos campos para explorar. Além da estreia olímpica, no ano que vem, em Tóquio, também integra uma proposta para figurar nos Jogos de Paris, em 2024.

Foram conquistas difíceis, em processos delicados e com forte concorrência. Outros esportes tinham a mesma pretensão, mas fracassaram. O skate, bem como o caratê, a escalada e o surfe garantiram as inéditas oportunidades no Japão e na França.

A situação do beisebol (agora acompanhado pelo softbal) é diferente, pois figurou no programa dos Jogos durante anos, até Pequim-2008, e retorna, mas deve sair a seguir.

No encaminhamento de propostas para a definição do programa de Paris, três dos novatos estão mantidos (escalada, skate e surfe), acompanhados da breakdance, a novidade, uma espécie de dança bem ao gosto dos franceses, anfitriões dos Jogos.

Para qualquer esporte, a inclusão na Olimpíada exige mudança radical na sua governança, na adoção de normas rígidas de controle antidoping, com exames durante e fora das competições, e transparência nas seletivas olímpicas.

São quesitos básicos, indispensáveis aos participantes dos Jogos Pan-Americanos. Portanto, um bom teste que o skate preferiu saltar. Deve ter seus motivos, algo mais interessante. O tempo dirá.



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