O ex-jogador e atual comentarista da TV Globo Walter Casagrande realizou nesta quinta-feira (17) uma palestra no Santos para conscientizar os jovens das categorias de base do clube sobre o perigo do uso de drogas.

Essa foi a primeira vez que Casagrande falou abertamente sobre o problema que o acompanha em um clube de futebol –ele admite ser dependente químico e disse já ter usado cocaína e drogas injetáveis. O encontro durou pouco mais de uma hora e reuniu cerca de 250 atletas, além de pais de jogadores e funcionários do clube.

O ex-atleta chegou ao evento acompanhado de um de seus três filhos. Pouco antes, a pedido do próprio clube, se dirigiu ao CT Rei Pelé para uma conversa com o atacante Diogo Vitor, flagrado recentemente em exame antidoping por conta do uso de cocaína.

“O moleque [Diogo Vitor] está assustado. Caiu o chão dele, está com um monte de dúvidas. Eu fui preso, por exemplo, não sabia o que fazer. Senti uma coisa boa nele. Está a fim de vencer”, disse.

Durante o encontro, Casagrande esteve com a assistente social do clube, Silvana Trevisan, mas pediu para se reunir em particular com o atleta.

Diogo foi afastado preventivamente das atividades como jogador profissional. A partir de segunda (21), os profissionais do clube devem consolidar a estratégia para cuidar do problema. Uma das possibilidades é um maior apoio psiquiátrico específico, contando com mais profissionais.

O Santos estuda também uma espécie de internação do jogador nas dependências do clube. A ideia, com isso, seria fazer um acompanhamento contínuo e mais próximo do atleta, evitando um possível quadro de depressão e o envolvimento com más influências durante o afastamento dos gramados. Além disso, o clube considera que cuidaria melhor de sua alimentação e preparação física.

Durante o seu discurso, Casagrande pediu para que o Santos não desista do jogador citando como exemplo o cuidado que a TV Globo teve não rescindindo seu contrato no ápice de seus problemas com cocaína e heroína, em 2007.

“Na época, poderia ter sido demitido por justa causa, mas a Globo me apoiou, pagou os meus salários, que eram altos, mesmo estando internado. O Santos precisa dar a cara para bater, deixar muito claro que vai apoiar. Espero que vire referência por isso”, disse.

Ele ainda citou que o erro de Diogo Vitor, assim como o de demais jogadores nessa situação, não deveria ocasionar em punições da Fifa por não aumentar o rendimento dentro das quatro linhas.

Antes do início da fala do atual comentarista, o presidente José Carlos Peres apresentou Casagrande como “o número 10 do não às drogas”, entregando uma camisa do clube e dizendo que os exemplos citados por ele seriam fundamentais para as carreiras dos jovens santistas.

Casagrande usou em diversos momentos o termo “estar sóbrio” e alertou para as constantes ofertas de drogas no futebol. Aproveitando a presença de pais, pediu para que os mesmos estejam atentos a pequenas mudanças de comportamento dos filhos.



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