O Senado americano confirmou nesta quinta-feira (17) o nome de Gina Haspel, 61, para ser a primeira mulher a comandar a CIA (agência de inteligência dos EUA).

Atual subdiretora da agência, Haspel teve seu nome questionado em razão de seu trabalho em uma prisão secreta da CIA na Tailândia em 2002, onde supostos membros da rede extremista Al Qaeda foram submetidos a torturas.

Ela assume o posto em um momento turbulento para a política externa americana, que vão desde as negociações nucleares com o Irã e a Coreia do Norte até as relações com a Rússia, cujo envolvimento nas eleições americanas de 2016 está sendo investigado.

Apesar das dúvidas sobre o futuro, o que mais criou tensão no processo de confirmação pelo Senado foi o passado de Haspel na CIA, mais especificamente qual teria sido o seu envolvimento durante o programa de torturas (vigente de 2002 a 2005) adotado pela CIA na sequência do 11 de Setembro.

Nesse período, a agência levou detentos para locais secretos ao redor do mundo e submeteu alguns a agressões e torturas que incluíam uma técnica de simulação de afogamento.

Senadores democratas (oposição) e alguns republicanos pressionaram para que Haspel repudiasse o programa de tortura e buscaram garantias de que a prática não seria retomada.

A escolhida por Donald Trump para suceder Mike Pompeo (novo secretário de Estado) afirmou em audiência no Senado na semana passada que o programa não será retomado na sua gestão.

“Por ter servido neste período conturbado, posso oferecer meu compromisso pessoal, claro e sem reserva, de que sob minha liderança na CIA não será restabelecido tal programa de detenção e interrogatórios.”

Nesta quinta-feira, ela foi além e afirmou que o programa “prejudicou nossos agentes e a nossa posição no mundo”.

Como funcionária do comando da CIA, Haspel foi apontada como a responsável por destruir vídeos que mostravam tais práticas.

Desde 2016, Trump faz declarações contraditórias sobre a tortura. Ele disse que pessoalmente defende seu uso, mas deixou para o secretário de Defesa, Jim Mattis, a decisão de utilizá-la. Este, até o momento, vetou a medida. 

Questionada na semana se retomaria a prática caso fosse solicitada por Trump, Haspel garantiu que recusaria. “Não permitirei que a CIA realize atividades que considero imorais, mesmo que sejam tecnicamente legais. Não permitirei isso, absolutamente.



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